Fasciíte Plantar

I- definições iniciais sobre fasciíte plantar

O que é a fasciíte plantar
Fasciíte plantar é a dor que ocorre na sola do pé, devido a alterações na fáscia plantar ou tecidos próximos.

Mas faciíte não é inflamação? O termo -ite não significa que há inflamação?
Fasciíte é o termo que "pegou", porém, a inflamação não está presente na maior parte dos casos. De fato, o termo mais correto quando ocorre alteração da fáscia seria fasciopatia (degeneração ou alteração da fáscia).

O que seria essa alteração da fáscia?
É importante explicar isso. A fáscia é composta de fibras que, via de regra, se organizam em paralelo. Quando existe uma sobrecarga excessiva podem haver microrupturas dessa fáscia. Se há descanos suficiente, e a carga imposta não tiver sido excessiva em demasia, essas microrupturas são sanadas, de forma que a própria fáscia se torna mais forte (se adapta ao esforço que o corpo vem recebendo). Porém, se o esforço foi numa magnitude muito excessiva ou prolongada, e/ou não houve descanso adequado, a recuperação não ocorre, e essas fibras se desorganizam, deixando de estar em paralelo, e se tornam mais fracas.

E o que é a fáscia plantar?
A fáscia plantar é um tecido de sustentação na sola do pé, que se estende desde o calcanhar até os dedos, e ajuda na formação do arco medial do pé.

O que é o arco medial do pé?
É essa "curvinha" ou concavidade suave que o pé (da maior parte das pessoas) apresenta. Quando não há arco medial, tem-se o "pé chato".

E como é a dor da fasciíte?
A dor da fasciíte pode ser pontual e/ou se extender pela sola do pé. Em geral, ela fica na região interna do pé, próxima ao calcanhar, e o momento de pior dor ao longo do dia é ao acordar e apoiar o pé pela primeira vez.


II -  As Causas da Fasciíte Plantar

E o que causa a fasciíte?
Não se sabe ao certo! Porém, a fasciíte costuma ser atribuída a diversos fatores, tais como excesso de esforço ("overuse", lesão por esforço repetitivo), falta de força dos músculos do pé, alterações do movimento ou da postura (pés pronados ou supinados), encurtamento ou tensão excessiva de outros músculos, limitação da amplitude de movimento do pé, sobrepeso, dentre outros.

Como o excesso de esforço causaria a fasciíte?
Um exemplo comum seriam os atletas de corrida sem orientação que realizariam um aumento da kilometragem repentinamente, expondo a fácia plantar a um ciclo excessivo de repetições. Ela não estaria preparada para receber essa sobrecarga, sofreria "microlesões", e passaria a apresentar dores.

O que seria o ideal fazer para isso não acontecer?
No caso citado, um aumento progressivo da kilometragem, com repouso adequado. Dessa forma, a fáscia se adaptaria ao esforço que é imposto ao corpo de forma progressiva. Por isso, especialmente aos atletas, sempre recomendamos que estejam acompanhados por um profissional de esporte ou educação física.

E a falta de força dos músculos do pé?
Os músculos do pé atuam em conjunto com a fáscia para dar sustentação ao pé sempre que o peso do corpo está sobre o mesmo. Com músculos fracos a fáscia seria sobrecarregada, levando às "microlesões" que falamos acima.

E o pé pronado?
Seja no movimento ou somente ao ficar em pé, o pé pronado promoveria um alongamento ou estiramento da fáscia, que poderia também promover as microlesões.

E o pé supinado?
O pé supinado, em geral, teria uma fáscia encurtada. Uma fáscia curta seria mais vulnerável aos pequenos estiramentos que podem ocorrer ao se apoiar o pé no solo.

Como o encurtamento muscular levaria à fasciíte plantar?
Isso pode ocorrer de algumas maneiras. Um exemplo comum seria um encurtamento excessivo dos músculos da panturrilha, diminuindo a amplitude de dorsiflexão (dobrar) do pé. Ao caminhar, a pessoa com encurtamento iria rodar o pé lateralmente ao apoiá-lo, para conseguir dar o passo. Esse "rodar lateral" do pé facilitaria a pronação, que discutimos acima. Por outro lado, pessoas com encurtamento excessivo da panturrilha podem, também, ter pé supinado (pé cavo) e encurtamento dos músculos do pé. O pé cavo, como discutimos acima também, tornaria a fáscia mais vulnerável aos pequenos alongamentos por ela sofridos.

E o sobrepeso?
O sobrepeso botaria uma carga elevada sobre o arco plantar, levando ao aumento de carga sobre a fáscia.

Considerações Finais sobre as causas da fasciíte plantar
É importante salientar que o que está acima disposta a respeito das causas é especulativo. Não existem estudos que nos afirmem a respeito de que essas alterações, de fato, causem a fascíite plantar. Sabemos que indivíduos obesos parecem mais predispostos, e que pessoas com fasciíte tem, mais frequentemente, músculos da panturrilha encurtados ou pronação do pé. Porém, essas alterações podem ter ocorrido após o surgimento das dores (alterações desse tipo após surgirem dores são comuns em outras regiões do corpo também) de forma que devemos deixar claro que não temos como dizer que essas são reais e comprovadas causas. Discutiremos mais a respeito no blog.



III - Diagnóstico Diferencial
O que é o diagnóstico diferencial da fasciíte plantar?
É saber dizer se o que está ocorrendo é uma fasciíte plantar ou se é algum outro tipo de dor que se assemelha à fasciíte, mas que tem outra causa.

Que outras causas poderiam ser essas?
São causas como atrofia ou lesão do coxim adiposo (gordura do calcanhar) que muita gente confunde com fasciíte (mas que tem outro tratamento), fascíite plantar lateral (raríssima), fasciíte plantar de origem neural (se origina na compressão dos nervos que inervam a sola do pé), fratura de stress do calcâneo, bursites, tendinites, síndrome do túnel do tarso, e outras.

O que é a fasciíte plantar de origem neural?
São dores similares às da fasciíte, mas que ocorrem pois os nervos que chegam aos pés estão sendo comprimidos. Essa compressão pode ocorrer em regiões como o túnel do tarso (o espaço por onde nervos e tendões deslizam na região interna do tornozelo), ou mesmo em músculos e regiões mais acima.

E a fasciíte plantar de origem neural é tratada com Fisioterapia?
Sim. A Fisioterapia dispõe de recursos e técnicas desenvolvidas para o tratamento dessas alterações e compressões neurais. Falaremos mais a respeito das Fasciítes de origem neural no blog.


IV - Tratamento para a Fasciíte Plantar

Quais são os tipos de tratamento que podem ser usados para a fasciíte plantar?
Vários tipos de tratamento vem sendo orientados, tais como:
. exercícios de fortalecimento para o pé;
. exercícios de alongamento da panturrilha;
. exercícios de alongamento da fáscia;
. aplicação de gelo;
. aplicação de calor;
. ultra-som terapêutico;
.  laser;
. técnicas de massagem;
. uso de fitas adesivas;
. técnicas articulares manuais;
. reeducação do gesto esportivo ou da corrida;
. correção dos erros de treinamento esportivo;

. uso de palmilhas ou de calçados que mudem o apoio ou movimento dos pés.

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